O crescente número de bicicletas no Brasil. Solução ou confusão?

O crescente número de bicicletas no Brasil. Solução ou confusão?

Esse título não é de minha autoria. Uma seguidora, lá do meu Instagram entrou em contato comigo ontem, pedindo uma ajuda pra falar sobre bicicleta, mobilidade urbana sustentável e outros assuntos que permeiam o crescente uso da bicicleta no país.

A ideia era compartilhar minha opinião sobre o assunto em alguns tópicos específicos, porém, resolvi trazer pra cá esse tema. Antes também de compartilhar o meu ponto de vista, é importante trazermos alguns dados:

Janeiro 2019: Produção de bicicletas aumenta 15,9% no país.

Segundo o vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, a retomada nos negócios, após quatro anos em declínio, foi impulsionada pela maior oferta de produtos, preços mais competitivos e a expansão da mobilidade urbana.

Folha de S.Paulo – 14/01/2019

Ao ler uma pesquisa, realizada pela Abraciclo e divulgada no site Movimento Conviva, fiquei impressionado com o número de bicicletas existentes no país. Estamos falando de 70 milhões de bikes (dados de 2013).

Com o crescimento das vendas, do mercado especializado em bicicletas, número de bicicletas disponíveis pelas ruas – mesmo considerando aquelas pessoas que compram uma bicicleta e, talvez por falta de um pequeno incentivo, acabam encostando a magrela em algum cômodo ou no cemitério bicicletário de prédios e condomínios.

No decorrer do texto, vou falar das soluções e das confusões, pois não acredito que seja 100% um ou outro esse tema.

Retomando o cidadão que compra a bicicleta, usa uma vez e para de usar. O que motiva esse acontecimento? Muitas vezes pode ser falta de uma infraestrutura básica na sua casa ou no condomínio que você mora. Quer um exemplo? Responda a pergunta abaixo:

Quanto tempo você demora entre querer sair de bicicleta e sair de fato pedalando pela rua?

No antigo prédio onde eu morava, quando eu pensava em pedalar eu precisava passar por uma mini maratona de tarefas:

  1. Trocar de roupa
  2. Pegar o capacete, óculos e luva
  3. Chamar o elevador
  4. Ir na portaria
  5. Pegar a chave do bicicletário
  6. Abrir o bicicletário
  7. Tirar a bicicleta do gancho
  8. Destrancar a bike
  9. Subir com a bicicleta até a portaria pra devolver a chave pro porteiro
  10. SAIR PRA PEDALAR (Tá achando que acabou aqui?)
  11. Voltar pra casa
  12. Passar na portaria
  13. Pegar a chave (de novo)
  14. Guardar a bicicleta (colocar no ganho, prender o cadeado)
  15. Voltar pra portaria pra entregar a chave pro porteiro
  16. E, finalmente, subir pra casa.

Sinceramente, não era nem um pouco fácil. Comecei a cortar alguns passos, enquanto ainda morava nesse condomínio, desse processo por conta própria. Capacete, óculos e luvas agora ficam junto da bicicleta, não guardava a bike no bicicletário (apesar de ser um local mais seguro, mas, continuava prendendo ela com cadeado, ao lado do carro).

Parece bobagem, mas, essa pequena mudança na lista de coisas que eu precisava realizar antes/depois de pedalar eram pequenos “desmotivadores”. E, olha que estamos falando apenas de uma logística do prédio em que eu morava. Poderia existir um outro facilitador, como o morador que tiver uma bicicleta guardada no bicicletário ter uma chave em mãos para acesso fácil – a síndica não permitia isso. Obviamente, ela não pedala.

Adapte essa situação para a sua realidade. O que você pode fazer pra agilizar o processo entre decidir sair pra pedalar e pedalar de fato?

Infraestrutura a favor da bicicleta

Quando começamos a explorar outros fatores de infraestrutura, começamos a pensar que todos devem ser envolvidos nessas questões. É um ciclo da vida, como já explicado na animação da Disney O Rei Leão, muito bem representado pelo GIF abaixo:

via GIPHY

Aqui nesse site, eu mapeio os bicicletários que eu vejo por onde eu ando (e você pode contribuir, é só clicar aqui). Sempre que faço uma avaliação de um estabelecimento no sistema do Google, eu tiro 1 estrela daquele local que não possui bicicletário. Algumas pessoas já comentaram comigo que estou sendo “radical”, mas, sinceramente – eu não acho. Eu quero ser bem atendido, pagar um preço honesto e, me sentir seguro em relação ao meio de transporte que utilizo: a bicicleta. Se eu não tenho um local adequado para deixá-la, corro o risco de ter uma bicicleta furtada (por mais que eu use 2 ou 3 cadeados, dependendo da situação) e, nem ter a quem recorrer no caso.

É comum ver brasileiros, que tiveram oportunidade de conhecer países (principalmente na Europa) que são super favoráveis ao uso da bike, mas, esses mesmos brasileiros – muitas vezes donos dos próprios negócios – não estão dispostos a colocar um bicicletário (seja para clientes ou para funcionários), colocar um vestiário, disponibilizar um local para uma ducha (VIVEMOS EM UM PAÍS TROPICAL QUE FAZ 35~40ºC EM VÁRIAS ÉPOCAS DO ANO). Achar lindo lá fora, mas, não querer investir aqui dentro é contraditório, pra não dizer irresponsável. É fácil de mudar isso. Você não precisa ter uma mega infraestrutura. O mínimo (segurança e conforto) não sai caro. No caso de empresas, é importante lembrar que funcionário feliz, rende mais e, por consequência geram mais valor pra sua empresa. Por isso, quando você ver uma empresa que oferece bicicletário, divulgue! É importante e incentiva outras pessoas.

Para encerrar (por enquanto)…

A lista é grande, mas, gostaria de trazer mais um outro ponto para encerrar: ter uma bicicleta é um fator gerador de economia financeira (já falei sobre isso aqui) e um otimizador de tempo, conforme já abordado nesse texto aqui.

E aí, o que você achou dos pontos abordados? Comenta aqui embaixo e vamos tornar esse espaço uma área pra trocar ideias, conversar a respeito da mobilidade urbana sustentável e compartilhar experiências.

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